Entrar numa loja de tênis pela primeira vez pode ser confuso: dezenas de raquetes com números parecidos, cordas de materiais diferentes e calçados para cada tipo de piso. A escolha certa faz diferença real — uma raquete inadequada atrasa a evolução e pode até causar dores no cotovelo.
Neste guia, a equipe da John Nasci Tennis explica, item por item, o que observar. E um aviso importante para quem está começando: você não precisa comprar nada antes da primeira aula. Na JNT emprestamos raquetes nas aulas iniciais, justamente para que você descubra o que funciona para o seu jogo antes de investir.
Como escolher a raquete de tênis
Quatro especificações definem o comportamento de uma raquete: peso, tamanho da cabeça, balanço e tamanho da empunhadura. Todas costumam vir impressas no próprio quadro.
Peso
Raquetes mais pesadas são mais estáveis e transferem mais energia para a bola, mas exigem mais preparo físico e técnica. Raquetes mais leves são fáceis de manobrar, mas tremem mais em bolas fortes. Como referência (peso sem corda):
| Perfil | Peso sugerido | Observação |
|---|---|---|
| Adulto iniciante | 255 g a 285 g | Fácil de manobrar enquanto a técnica se desenvolve |
| Intermediário | 285 g a 300 g | A faixa mais versátil para a maioria dos amadores |
| Avançado | 300 g a 320 g ou mais | Exige golpes completos e bom preparo físico |
Um erro comum é comprar o modelo usado pelo seu tenista favorito. Raquetes de profissionais costumam ser pesadas e exigentes — e elas ainda são personalizadas para cada atleta.
Tamanho da cabeça
- 95 a 98 pol²: mais controle e precisão, área útil de acerto (o sweet spot) menor. Para jogadores com golpes consistentes.
- 100 pol²: o padrão do mercado. Equilíbrio entre controle, potência e tolerância a erros. A escolha mais segura para a maioria.
- 102 a 110 pol²: mais potência e mais tolerância a contatos fora do centro. Boa para iniciantes e para quem tem golpes mais curtos.
Balanço
O balanço indica onde está concentrado o peso. Raquetes com cabeça leve (head light) são mais manobráveis, especialmente na rede. Raquetes com cabeça pesada (head heavy) dão mais potência em golpes curtos, e costumam ser leves no total. Raquetes de peso intermediário geralmente vêm com balanço neutro ou levemente head light.
Tamanho da empunhadura (grip)
No Brasil, o tamanho do cabo é indicado de L0 a L4 (aproximadamente de 4" a 4 1/2" de circunferência). A maioria dos homens adultos usa L2 ou L3, e a maioria das mulheres L1 ou L2. Teste: segurando a raquete com a empunhadura de forehand, deve caber o dedo indicador da outra mão entre a ponta dos dedos e a palma. Se ficar entre dois tamanhos, escolha o menor — é fácil engrossar o cabo com overgrip, mas impossível afiná-lo. Um cabo do tamanho errado obriga você a apertar demais a raquete e sobrecarrega o antebraço.
Corda e tensão: o componente mais subestimado
A corda é a única parte do equipamento que toca a bola. Mudar a corda ou a tensão muda completamente a sensação de uma raquete — às vezes mais do que trocar de modelo.
| Tipo de corda | Pontos fortes | Para quem |
|---|---|---|
| Sintética (nylon) | Bom custo-benefício, conforto razoável | Iniciantes e quem joga ocasionalmente |
| Multifilamento | Conforto, potência e boa sensação de bola | Quem busca conforto ou tem sensibilidade no braço |
| Poliéster (monofilamento) | Controle, durabilidade e efeito (spin) | Intermediários e avançados com golpes completos |
| Tripa natural | O máximo em conforto, potência e manutenção de tensão | Quem quer o melhor desempenho e aceita o custo maior |
O poliéster é usado pela maioria dos profissionais, mas é mais rígido e perde tensão relativamente rápido. Para iniciantes ou para quem tem histórico de dor no cotovelo, normalmente não é a melhor escolha — ou deve ser combinado com um multifilamento na montagem híbrida.
Tensão: a maioria das raquetes indica uma faixa entre 50 e 60 libras (cerca de 23 a 27 kg). Regra prática: tensão mais baixa dá mais potência e conforto; tensão mais alta dá mais controle. Se a bola está saindo longa demais, um pouco mais de tensão ajuda; se o braço está sentindo, reduza.
Quando trocar: uma referência clássica é trocar a corda, por ano, o mesmo número de vezes que você joga por semana — quem joga três vezes por semana troca cerca de três vezes por ano. Com poliéster, o intervalo costuma ser menor, porque a corda perde tensão mesmo sem arrebentar.
Calçado: use tênis de tênis
Correr para frente é diferente de frear e mudar de direção lateralmente dezenas de vezes por game. Calçados de corrida não têm o suporte lateral nem a sola adequada para a quadra — e são uma causa frequente de torções de tornozelo. O calçado de tênis tem estrutura reforçada nas laterais, sola mais resistente e amortecimento pensado para frenagens.
- Quadra rápida (dura): sola resistente à abrasão, com padrão de desenho misto e bom amortecimento. É o caso das quadras da JNT, no Clube Telecamp.
- Saibro: sola com desenho em espinha de peixe (herringbone), que dá aderência e não acumula saibro.
- Modelos “all court”: funcionam bem nos dois pisos e são uma boa opção para quem joga em lugares diferentes.
Bolas de tênis
As bolas comuns são pressurizadas e começam a perder pressão a partir do momento em que a lata é aberta. Para treinos e jogos, o ideal é renovar as bolas com frequência: uma bola “morta” quica menos, altera o tempo do golpe e exige mais esforço do braço.
Para crianças e iniciantes absolutos, existem as bolas de transição da metodologia Play and Stay, da ITF: a vermelha (estágio 3, cerca de 75% mais lenta), a laranja (estágio 2, cerca de 50% mais lenta) e a verde (estágio 1, cerca de 25% mais lenta). Elas tornam o aprendizado mais rápido e divertido.
Acessórios e roupas
- Overgrip: fita fina sobre o cabo que melhora a aderência e absorve o suor. Barato e com grande impacto — troque sempre que estiver liso.
- Antivibrador: pequena peça de borracha nas cordas que reduz o som e a vibração das cordas. Questão de preferência; tem pouco efeito na vibração que chega ao braço.
- Raqueteira: protege as raquetes do calor — temperatura alta, como a de um carro ao sol, altera a tensão das cordas.
- Roupas: tecidos leves e respiráveis, boné ou viseira, protetor solar e uma garrafa de água sempre por perto.
Quanto investir em equipamento de tênis
Para começar, o essencial é um bom calçado de tênis — esse sim é inegociável, por segurança. A raquete pode esperar algumas aulas: depois de experimentar modelos e ter um golpe mais definido, você compra com muito mais acerto. Prefira uma raquete intermediária de marca reconhecida a um modelo infantil ou de “brinquedo”, que deforma e não acompanha sua evolução. E reserve parte do orçamento para corda e encordoamento — é ali que está boa parte do desempenho.
Com o equipamento certo, o próximo passo é a técnica. Veja nosso guia de técnicas de tênis e as dicas para evoluir mais rápido.
Perguntas frequentes
Qual a melhor raquete de tênis para iniciantes?
Para adultos iniciantes, uma raquete entre 255 g e 285 g (sem corda), com cabeça de 100 a 105 pol² e empunhadura do tamanho certo para a mão. Ela é fácil de manobrar e tolerante a contatos fora do centro, o que facilita o aprendizado.
Preciso ter raquete própria para começar a fazer aulas?
Não. Na John Nasci Tennis emprestamos raquetes nas primeiras aulas. Assim você experimenta, desenvolve o golpe e compra a sua com orientação do professor.
De quanto em quanto tempo devo trocar a corda da raquete?
Uma referência comum é trocar a corda, por ano, o mesmo número de vezes que você joga por semana. Cordas de poliéster perdem tensão mais rápido e costumam ser trocadas com mais frequência, mesmo sem arrebentar.
Posso jogar tênis com tênis de corrida?
Não é recomendado. Calçados de corrida não têm suporte lateral nem sola adequada para as frenagens e mudanças de direção do tênis, o que aumenta o risco de torções e escorregões.